Gui Louback

.sou uma cidade.

Posted in crônicas by guilouback on julho 31, 2013

sou uma cidade
possuo limites e limites
e, para que eu possa me expandir, preciso transpor estes limites
e cada limite possui um pedágio
mas esta não é a única forma de crescer

sou uma cidade
possuo habitantes
as emoções são meus habitantes
e, enquanto tento me expandir, minhas emoções crescem
sem que eu mande
sem que eu controle

sou uma cidade
que não tem dinheiro para expandir
e possui o tamanho certo

só resta crescer com as emoções

 

.por quem os sinos tocam.

Posted in crônicas by guilouback on abril 12, 2013

13.03.2013

15h26

 

estava sem internet, sem rádio, sem televisão.

estava sozinho no carro, voltando para minha antiga casa.

então os sinos da igreja perto da Praça Benedito Calisto tocaram.

então olhei o relógio. eram apenas 15h26.

assim, percebi que algo novo tinha acontecido.

assim fui informado que havia um novo nome para o Papa.

foi quando me senti em outra época. uma antiga época

foi quando percebi que não precisamos tanto assim de tantas mídias.

e mais uma vez os sinos tocaram.

e terminei o dia em 2003. sem conexão, sem 3G, sem dependência.

mas sabendo a mesma coisa que todos.

15h27

13.03.2003

.o poder de não transformar.

Posted in yo by guilouback on janeiro 29, 2013

sou eleitor desde meus 16 anos de idade. lembro que em 2002 fiz campanha. eu tinha 15 anos e queria votar no Lula.

de lá para cá, fui amadurecendo minha idéias e ideais. não votei para a reeleição do ‘companheiro’, já aderi ao branco e também ao nulo. parti para a oposição, votei por partido e votei por candidato.

indignação? claro.

protesto? sim, por que não?

chateado? claro²

mas acho que nunca estive triste com o período eletivo. esta foi minha primeira vez.

como muito se ouve e gostamos de dizer, ‘vivemos em um mundo louco’, não é? as velocidades aumentam sem que possamos acompanhá-las, processamos mais informações do que somos capazes de assimilar, e temos mais e mais dificuldades em pensar no próximo, dificuldades de fazer nosso melhor. queremos mais sem sabermos exatamente o que queremos. queremos mais sem julgar ou criticar o impacto que o nosso desejo [e conquista] implica na vida dos outros. somos individualistas que não têm outra opção do que viver em sociedade. hoje, nós não sabemos viver em sociedade. não sabemos identificar nosso papel na coletividade. a gente reclama do trânsito ao mesmo tempo em que somos o trânsito.

é a nossa marca. nosso legado. hoje. e amanhã.

por que os políticos seriam diferentes? além de nome público e exposição excessiva, o que alguém como nossos políticos tem de tão diferente? qual a real capacidade de mudança que eles podem proporcionar? nós temos severas dificuldades em confrontar nossos interiores, nossos hábitos, e, apesar de sermos potencialmente capazes de mudarmos sozinhos, que os namoros sejam testemunhas de que isso dificilmente ocorre.

se não conseguimos mudar o indivíduo sobre o qual temos maior influência (nós mesmos), que dirá de 10 milhões de habitantes? mendigos, executivos, hipsters, hippies, skatistas, ciclistas, polícia, ladrão. quem poderá nos mudar?

somos fortes, incríveis, pois temos o poder de não transformar. quando tudo nos é propenso. quando tudo nos é favorável, nada se cria, nada se transforma.

não há moral nisso. é apenas um relato da percepção deste que vos fala.

.não tenho título.

Posted in yo by guilouback on outubro 8, 2012
Esta poderia ser a era das experiências.
A era de grande realizações.
Do fácil acesso às atividades e não das informações.
Nós acabamos por deturpar uma ferramenta. A rede. A comunicação
Nós fizemos da ferramenta o fim. E com ela, o nosso fim.
Talvez tenhamos começado com o pé formigando, com cãibras.
Não fizemos tudo de ruim, mas não fizemos nosso melhor.
Não há moral nisto, não há lição aprendida.
Hoje, aqui, há apenas uma angústia do que poderíamos ter sido.
Não há lição para ser tratada.
Não há avivamento pela moral desfalecida.
É só uma angústia mesmo.
Só isso.

°siempre va a estar aquí°

Posted in crônicas by guilouback on abril 10, 2012

‘hace 20 años que vivo en Brasil. y ahora decidí volver a hablar castellano porque quiero que mis amigos se recuerden de mi así, como un paraguayo que soy’, disse Babi, com lágrimas nos olhos

paraguaio de nascença, humano de vivência, Babi tem 75 anos e acha que não ficará por muito mais tempo entre nós.

Babi ficará aqui, siempre.

°meia-noite°

Posted in crônicas by guilouback on março 30, 2012

seu nome era Benjamin e tinha 9 anos. amanhã seria seu aniversário.

sua mãe perguntou ‘filho, o que você gostaria de presente?’

‘hoje quero dormir depois da meia-noite minha mãe’, respondeu Benjamin

‘não tenho como lhe dizer ‘não’, meu filho. por isso, digo ‘sim’, com uma condição: me dizer o porque de ir dormir tarde como presente’

então Benjamin a explicou…

‘como presente, mamãe, quero dormir sabendo minha nova idade, para que ela acorde comigo e não mais eu acorde com ela’

°Cosmo está de férias°

Posted in crônicas by guilouback on agosto 6, 2011

6h42. V. Madalena. 6°C. espero o fretado.
6h45. V. Madalena. 6°C. o fretado chega.
olho para o motorista e pergunto: “onde está seu Cosmo?”. ouço alguém dizer que “Cosmo está de férias”. então, o clarão no céu.
não poderia ser o sol. já havia nascido uma vez. como haveria de nascer novamente?

muito menos poderia ser a lua, que não emite luz, apenas reflete. poderia ser a Salvação. mas novamente me enganaria.

era a disjunção de uma estrela. mais distante do que posso entender. mais luz do que jamais tinha visto. fiz meus ‘cálculos’ e pensei na quantidade necessária de anos-luz para que pudéssemos presenciar tal fenômeno. me enganaria de novo. devo ter errado nos ‘cálculos’.

era hoje e era ontem. o tempo se alterou com a luz. o vento se alterou com o tempo. e a V. Madalena já não importava. importava o amor que não teria comigo. a família que não estaria mais à mesa. era o fim do Cosmo. então vi, e muitos viram também.

o que era disjunção de uma estrela virou junção de tudo. Mercúrio parecia a Lua, e nós parecíamos todos. e todos viraram cometas. corpos menores que suas mentes. e já não éramos únicos. nunca tínhamos sido únicos, mas agora sabíamos disso. e víamos nossos passados em centauros e asteroides. e eu vi a mim. e eu vi a ti. e amei de novo. como antes, como era. por eras.

éramos estrelas então. crescemos nos astros, Astros, e átrios. e anéis de mundos nos acomodavam sem saber.

e então não acordei

(post originalmente publicado em Epic Shit)

.1 minuto.

Posted in crônicas by guilouback on fevereiro 16, 2011

23h45

 

um carro encosta ao lado do edifício. do passageiro atrás, saem mãe e filho.

– boa noite meu filho. durma bem.

– boa noite mamãe… te amo.

forte abraço. guri retorna ao carro, fecha a porta e o mesmo se vai com o pai.

 

23h46

.a fatia nunca se corta sozinha.

Posted in yo by guilouback on janeiro 28, 2011

.duas mãos são necessárias para cortar um bife. o que nos leva a pensar que mais tudo se faz em par. o par de mãos segura o par de talheres. que por fim, em locais saudáveis, leva o alimento para 32 dentes triturarem o respectivo. e nunca se deve engolir tudo de uma vez. dividir para conquistar.

.isso tudo para dizer que não gosto de comer sozinho. muito menos gosto de ver alguém comendo sozinho. isso tudo para dizer que tentarei agir para que não coma sozinho.

“eu levantaria da mesa, chegaria junto à pessoa e diria ‘não gosto de comer sozinha. posso me sentar?’ “(@teeca)

Crônica #4

Posted in crônicas by guilouback on setembro 16, 2010

Era sabido que era uma vez
Um conto, uma história
Que alguém já fez

Um louva-a-Deus como todos
E como todos, ninguém o percebeu
Não muito como todos
O seu nome era Ateu

Ateu era feliz, e por que não seria?
Elevava suas mãos para os céus todos os dias
E em um desses dias, Ateu quis mudar
Decidiu para a terra suas mãos voltar

Assim sua felicidade aumentou
E a arar a terra ele começou
Alguns dias olhava para os céus; outros, para os pés
Outros foram se perguntando “O que é aquilo? O que é?”

E pouco a pouco
E povo a povo
Mãos foram caindo
Plantas foram surgindo
E Ateu foi se dividindo, dividindo, divid…  div…

Entre o céu e a terra por muito tempo esteve
No fim, uma lesão na coluna Ateu sofreu
Ficou sem poder olhar para cima ou para baixo.
E como antes o céu e a terra, agora o horizonte também o percebeu